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DER-MG: 80 anos de história e pouco a comemorar

Estradas abandonadas pelo DER MG travam o desenvolvimento de Minas.

O DER-MG completou 80 anos de existência.

Oitenta anos de uma instituição que ajudou a construir Minas Gerais. Oitenta anos de uma autarquia que foi referência nacional em engenharia rodoviária, formou gerações de profissionais, implantou milhares de quilômetros de rodovias e conectou cidades, regiões e oportunidades.

Mas a pergunta que fica é: o que exatamente estamos comemorando?

Recentemente, a direção do órgão promoveu uma solenidade em homenagem aos seus 80 anos. Quem compareceu esperando encontrar um resgate da história da instituição, uma homenagem aos profissionais que a construíram ou uma reflexão séria sobre seus desafios atuais certamente saiu decepcionado.

Foi uma cerimônia vazia de conteúdo, incapaz de traduzir a importância histórica do DER-MG para Minas Gerais.

Em nenhum momento houve um esforço efetivo para apresentar às novas gerações a grandeza de uma instituição que já foi orgulho dos mineiros. Afinal, como valorizar uma história que parece ter sido esquecida por aqueles que hoje ocupam posições de comando?

Enquanto discursos protocolares são realizados, a realidade do DER-MG é outra.

Coordenadorias regionais funcionando em condições precárias.

Estruturas físicas deterioradas.

Quadro técnico reduzido e envelhecido.

Ausência de concursos públicos compatíveis com as necessidades da instituição.

Perda gradual da capacidade operacional.

Desvalorização dos profissionais que ainda resistem e mantêm viva a memória técnica do órgão.

O mais contraditório é que tudo isso acontece justamente em uma instituição responsável por um dos maiores patrimônios públicos do Estado de Minas Gerais: sua infraestrutura rodoviária.

São milhares de quilômetros de rodovias estaduais e centenas de pontes que sustentam o transporte de pessoas, mercadorias, riquezas e oportunidades.

Não estamos falando apenas de estradas.

Estamos falando de desenvolvimento econômico.

Estamos falando de segurança viária.

Estamos falando de integração regional.

Estamos falando da competitividade de Minas Gerais.

O DER-MG não precisa de festas.

O DER-MG precisa de reconstrução.

Precisa de valorização profissional.

Precisa de investimentos.

Precisa recuperar sua capacidade técnica.

Precisa voltar a ser protagonista na formulação e execução da política de infraestrutura do Estado.

A verdadeira homenagem aos 80 anos do DER-MG não está em solenidades ou fotografias oficiais.

Está no compromisso de resgatar a dignidade de uma instituição que já foi exemplo para o Brasil.

A história do DER-MG é grande demais para ser reduzida a um evento protocolar.

Oitenta anos deveriam servir para celebrar conquistas, mas também para reconhecer erros, enfrentar desafios e construir soluções.

Porque a pior homenagem que se pode prestar a uma grande instituição é fingir que está tudo bem quando claramente não está.

O DER-MG merece mais.

Seus profissionais merecem mais.

E Minas Gerais também.